No final do mês de setembro de 2007, o Instituto Plantarum organizou uma Expedição às áreas centrais dos estados do Espírito Santo e Minas Gerais, visando o estudo das jabuticabeiras localmente endêmicas. Participaram da mesma o biólogo Rodrigo Tsuji do Instituto Plantarum, o ambientalista Heitor Bispo, da região de Diamantina (MG) e o fruticultor Marco Lacerda Durante a viagem, observou-se uma seca atípica para o mês de setembro, o que provocou a ocorrência de queimadas em praticamente todos os biomas visitados. Devido a este fato, poucos resultados seriam esperados, porém mesmo assim decidiu-se prosseguir a expedição. Em Vargem Alta (ES), foi localizada uma forma de Myrciaria cauliflora de grande porte (aproximadamente 12 metros) e copa colunar, dotada de folhas jovens glabras e de coloração róseo-esverdeada, produtora de frutos grandes (3-4 centímetros de diâmetro) e doces. Ainda percorrendo a serra capixaba, encontrou-se nas imediações de Santa Tereza outra forma de M. cauliflora, de porte e folhas menores que a anterior, cuja folhagem nova é glabra e róseo-avermelhada. Sua característica mais interessante reside no fato de seus frutos, de superfície bem polida e negra na maturação, apresentarem baixíssima acidez. Por esta razão são consumidos ainda verdes ou semi-maduros, justificando seu nome local de “jabuticaba-branca”. Porém tal epíteto popular não é muito apropriado, pois pode levar à confusão com a verdadeira jabuticaba-branca (Myrciaria aureana). Um nome mais adequado poderia ser jabuticaba-sem-acidez. Ainda no Espírito Santo, no baixo Rio Doce, foram observados e fotografados pela primeira vez os frutos da rara Myrciaria spirito-santensis. Esta planta havia sido apresentada à ciência em 1976, com base em exsicata de um ramo florífero colhido em uma mata próxima a Linhares. Desde então nada que acrescentasse informações sobre esta fruta foi publicado, privando a ciência e a fruticultura de uma jabuticaba de características ímpares. Os frutos são roxo-avermelhados, de superfície vilosa (=textura de camurça) e marcados com uma cicatriz em forma de cruz no ápice. Apresentam um sabor doce-acidulado delicioso, que se torna mais agradável ainda pelo contraste com a casca aveludada. Já em Minas Gerais, foram documentadas algumas jabuticabeiras silvestres que causaram grande sensação. A mais distinta delas foi descrita em 2005 pelo Prof. Marcos Sobral, da UFMG. Trata-se de uma espécie anã (0,5 a 1,0 m), de galhos muito finos (cerca de 1,0 cm de diâmetro) e pouco ramificados. Foi localizada em região de cerrado, com solo seco e areno-pedregoso, em companhia de outras mirtáceas frutíferas como Campomanesia adamantium (para informações adicionais sobre a última, consultar o livro “Frutas Brasileiras e Exóticas Cultivadas” do Instituto Plantarum). Finalmente, em uma floresta nas cabeceiras do Rio Jequitinhonha, foi descoberta uma espécie inédita, na qual os frutos são negros, vilosos e dotados de folhas maduras com indumento, característica muito rara entre as jabuticabeiras. Contrariando todas as expectativas geradas pela seca e queimadas, o balanço geral da viagem foi altamente produtivo, pois foram encontradas diversas espécies promissoras em floração e frutificação. |
 |
Rodrigo Tsuji do Instituto Plantarum, o ambientalista Heitor Bispo, da região de Diamantina (MG) e o fruticultor Marco Lacerda |
|