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Expedições / Galeria de Fotos
VIAGEM PARA A CAATINGA E FLORESTA OMBRÓFILA BAHIANA
5 mil kilometros a tão judiada caatinga nordestina

Em abril deste ano, fui solicitado a cumprir com os objetivos de procurar as árvores que estavam faltando para o término do livro Árvores Brasileiras volume 3. Em uma expedição com duração de 12 dias, percorri os mais diversos biomas saindo de Nova Odessa-SP e percorrendo os estados de Rio de Janeiro, Espirito Santo, Minas Gerais e Bahia. Contando com a colaboração de Jomar Jardim, percorri mais de 5 mil kilometros até o nosso destino final a tão judiada caatinga nordestina em Bom Jesus da Lapa-BA.
Durante a viagem, deparei com alguns impetuosos problemas causados pelas imensas plantações de café e eucaliptos e muitas fazendas de criação de gado beirando a BR-101. Deparando-me com tal problema, extraviei a rota original seguindo até a cidade de Vinhático-ES a procura dos frutos de uma Pouteria presente a 5 kilometros antes da cidade, em visita a esta árvore já localizada, percebi que suas flores anteriormente vistas, estavam todas abortadas e apenas haviam dois frutos em formação, uma decepção para o início da viagem, apenas 50 metros me separavam da planta e o carro e apenas 50 metros me iniciaria outra decepção, a perda da chave do carro que por ventura acabou caindo do meu bolso, frente a esta decepção, dei início a procura, primeiramente percorri todo o caminho tentando pensar onde poderia ter perdido, pensei em várias alternativas,principalmente quando senti suor percorrer todo o meu uniforme de campo. Uma das alternativas seria realizar uma ligação direta e pedir o encaminhamento da chave reserva para a cidade de Itabuna-BA, onde eu iria ficar hospedado, porém essa alternativa ficou descartada quando percebi que não havia sinal no meu celular, comecei a ficar apreensivo e um tanto quanto nervoso com a situação pedi até a São Longuinho uma ajuda e comecei a rastejar a procura da chave, nessa hora outro problema, como não havia água comigo, comecei a sentir uma forte insolação e conseqüentemente comecei me sentir atordoado, nessa hora percebi que nem o São Longuinho estava do meu lado, assim pensei em outra alternativa, pedir carona até a cidade para tomar uma água e depois retornar a minha busca,foi nessa hora que parei uma moto e pedi uma carona. Frente ao problema, o Sr. Nilson, dono da moto, sugeriu que deveríamos proceder à procura, pois estávamos a poucos metros do carro e com certeza iríamos achar a chave. Frente a minha atordoação, pedi ao Sr Nilson que procurasse a chave e fiquei embaixo da Pouteria tentando me recompor, com peso na consciência vendo aquele impetuoso homem procurando a chave, fui tentar me deslocar quando por fim acabei desmaiando, sem saber que a minha sorte estava por vir, Meu ímpeto se resumiu a 2m, quando fui acordado e ao me levantar vi uma coisa brilhando e exclamei...”Nilson encontrei a chave!”, assim dei início ao longo trecho até a Bahia.
Frente as aventuras quase me esqueci de relatar o objetivo da expedição. Chegando no estado da Bahia passei por Teixeira de Freitas rumo a Itabuna, em Itamarajú, entrei no Parque Nacional do Monte Pascoal, onde residem índios Pataxós, esse parque administrado pelos índios e pelo IBAMA vem buscando garantir a proteção das 9 aldeias indígenas e as florestas ombrófilas pertencentes em sua área. No parque fui recebido pelo índio Nauí e pela comunidade que ali residem e pude observar um forte apelo comercial dos artesanatos feito pelos índios com finalidades de auto-sustentação e benefícios familiar, não pude deixar de perceber também a forte influência dos brancos em seus trajes e vestes , na estrada para o Parque encontrei uma árvore isolada de Cordia trichoclada, e algumas Vismia e Miconia, árvores comum de vegetação secundária.
Em Itabuna, instalei a minha base em um hotel e começamos a busca por demais árvores já localizadas na região principalmente em Jussari onde visitamos os exemplares de Diploon cuspidatum, Centrolobium robustum entre outras, porém a novidade foi uma árvore de aproximadamente 20 metros com flores brancas pinceladas de tom vináceo na base de sua corola chamada Ceiba ventricosa. Rumo ao oeste seguimos em direção a Aracatú, e municípios ali adjacentes até Bom Jesus da Lapa-BA. Em Aracatú visitamos uma Celastraceae de aproximadamente 10 metros de altura chamada pela população local de pau-vidro (Frauenhofera multiflora), pau-colher (Maytenus rigida) e pinha (Annona vepretorum). Nos próximos dias de viagem retornamos para Itabuna e seguimos em direção ao norte de Ilhéus sentido Itacaré, lá encontramos algumas novidades até então desconhecidas para nós, como a Kielmeyera neglecta e um exemplar de Helycostylis tomentosa conhecido como amora-do-campo, com frutos atingindo cerca de 3 cm e um sabor muito agradável.
Com a satisfação do dever cumprido, fiz amizades, passei por dificuldades, vivi uma das viagens mais emocionantes e consegui concretizar todo o plano que tínhamos traçado com êxito e tempo para o retorno ao Instituto Plantarum.
Agradeço a ajuda essencial do futuro Dr. Jomar Jardim, especialista na família Rubiaceae e uma das pessoas que mais conhece as plantas da região nordestina, ao apoio dos amigos instantâneos Nilson e Nauí e ao diretor do Instituto Plantarum Harri Lorenzi, por acreditar no trabalho desenvolvido.

Rodrigo Tsuji (Inst. Plantarum) & Jomar Jardim CEPLAC


Cordia trichoclada


Centrolobium robustu


Centrolobium robustu


Ceiba ventricosa


Kielmeyera neglecta




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